07/02/2011

Reino




Daniel Lago

Jornalista formado pela UFRJ, doutor em Linguística pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e professor de Filosofia da Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), tendo estudado hebraico na Sinagoga ARI, em Botafogo – RJ.

Versículos famosos, se analisados à luz da cultura judaica antiga, assim como através do idioma hebraico, trazem à tona verdades espirituais profundas. Um curioso exemplo é Mateus 6.33:

“Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” (Revista e Atualizada).




No texto grego, a palavra “buscar” é “zeteo”, que curiosamente pode significar tanto “louvar” quanto “conspirar contra”. Tal aparente contradição fica evidente quando analisamos os termos derivados “zetema” (“debate”) e “zetesis” (“contenda”). Assim vemos que buscar o Reino envolve uma contenda, uma luta. O cristão que está verdadeiramente engajado na busca do reino em primeiro lugar deve estar preparado para enfrentar inúmeras contendas em favor da verdade do evangelho, tão atacada nos últimos tempos.

O ato de buscar (zeteo) o Reino é uma empreitada perigosa, pois ainda que muitos louvem publicamente as virtudes de tal busca, outros creem que o estão buscando, mas, na verdade, conspiram contra ele. Jesus afirmou: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama” (João 14.21). Se dissermos que buscamos o Reino de Deus, mas não cumprimos os mandamentos de Cristo, estamos, na verdade, conspirando contra a instauração do Reino de Deus nesta terra.


Em hebraico, o verbo “buscar” é “darash”, que também significa “inquirir”. É como se o cristão que busca o Reino saísse pela rua perguntando às pessoas se conhecem o caminho que conduz ao Reino. Como um detetive, o cristão começa uma jornada em busca das coordenadas que levam à estrada que termina no Reino de Deus. Cristo é o caminho (João 14.6), e somente através dele o cristão pode receber tais coordenadas. O cristão que não busca conhecer ao Senhor e à Palavra de Deus com diligência não está buscando o Reino, mas conspirando contra ele. Isso porque um cristão que não persegue o caráter de Cristo traz vergonha ao Evangelho e impede que as pessoas entrem no Reino (Mateus 23.13).

Do hebraico “darash” deriva-se “midrash”, que significa “investigação”, “tratado” ou “estória”. Na cultura judaica, o midrash é uma compilação de ensinos homiléticos sobre a Bíblia Judaica. Alguns estudiosos defendem que esta palavra é forma pela união de “mi” (“quem”, em hebraico) com “darash” (“busca”). Ou seja, o “midrash” pode ser visto como um ensino concedido somente “àquele que pergunta”, que busca aprender. Isso nos leva a um versículo muito poderoso:

“Quando Jesus ficou só, os que estavam junto dele com os doze o interrogaram a respeito das parábolas. Ele lhes respondeu: A vós outros vos é dado conhecer o mistério do reino de Deus; mas, aos de fora, tudo se ensina por meio de parábolas, para que, vendo, vejam e não percebam; e, ouvindo, ouçam e não entendam; para que não venham a converter-se, e haja perdão para eles” (Marcos 4.10-12).

No versículo acima, Cristo está dizendo que somente aqueles que o interrogam recebem o privilégio de conhecer o mistério do Reino, de modo que passam a ver, perceber, ouvir, entender, converter-se e ter seus pecados perdoados. Isso é muito sério, pois nos ensina que aqueles que não buscam (darash) o Reino, e não são pessoas que perguntam (midrash) a Jesus como chegar ao Reino, não são dignas dele. Não podemos usar a Bíblia para satisfazer nossos desejos ou utilizá-la como instrumento de autoajuda. Devemos pregar a verdade, entre a qual está: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus” (Mateus 7.21). Buscar ao Senhor é fazer sua vontade, e não apenas cantar e dizer que somos cristãos. Se não nos engajarmos em uma busca incessante por fazer a vontade de Deus, não poderemos entrar no Reino de Jesus. 

Chegamos a um momento em que ou começamos a pregar o verdadeiro evangelho ou seremos consumidos pela “provação que está para vir sobre o mundo” (Apocalipse 3.10), assim como Isaías, o profeta messiânico já havia anunciado: “Buscai o SENHOR enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto” (Isaías 55.6). Chegará um momento depois do qual não poderemos mais encontrar o Senhor, pois está perto o tempo em que será tirado aquilo que detém o “mistério da iniquidade” (2 Tessalonicenses 2.7). Quem não buscar primeiro o Reino e a justiça deste Reino ficará em outro Reino, hoje conhecido como Nova Ordem Mundial, governado por Moloque.

O que é o Reino? Em grego, o termo para Reino é “basileia”, palavra que está relacionada à ideia de fundamento, pois procede de “basis” e se relaciona com “baino”, que significa “caminhar”. Assim vemos que o Reino é construído com base um fundamento (basis), cujo acesso é permitido àqueles que caminham em sua direção. Os cristãos foram inicialmente chamados “os do caminho” (Atos 9.2), porque rumavam em direção a este Reino.

Em hebraico, reino é “malkuth”, que vem de “malak”, palavra que possui uma gama de derivações curiosas, pois sua raiz é “lak”, cujas letras, unidas, trazem a ideia de “cajado na mão”. Isto é interessante, pois o cajado remete tanto ao reinado quanto à caminhada. O cajado na mão do peregrino funciona tanto para auxiliá-lo no caminhar, de modo que não tropece em nenhuma pedra (Salmo 91.12), como para defender-se de animais selvagens (1 Pedro 5.8) ou de ladrões (João 10.10).

O verdadeiro cristão anda segundo o conselho (melak) aprendido através da leitura diária das Escrituras (Salmo 1.2), que lhe oferece um apoio como de um cajado (pelek), e que o ensina a fugir das ciladas (malkodeth) de Moloque (molek), cujo domínio (malku) jaz no maligno (1 João 5.19).

Todavia, o Rei da Justiça (malk?y-tsedeq), através de seu mensageiro (mal’ak), nos ensina a caminhar (halak) em uma jornada (helek) que conduz ao reino (malkuth), e nos torna embaixadores (mela’kah) da mensagem de Cristo, para que outros possam também seguir seus passos (haliyk). Isso porque a Bíblia nos ensina que “para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos” (1 Pedro 2.21).

Reino (malkuth) e justiça (tsedeq) estão unidos desde a eternidade através do sacerdócio de Melquisedeque (malk?y-tsedeq), do qual Cristo é sacerdote para sempre (Salmo 110. 4 e Hebreus 5.6). Há dois Reinos, o Reino de Moloch (malkuth molek), e o Reino de Melquisedeque (malkuth malk?y-tsedeq). Muitos cristãos estão presos ao Reino de Moloque, pois não vivem a Palavra de Deus.

Buscar o Reino e sua Justiça consiste em seguir os passos de Jesus, o eterno sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque. Busque ao Senhor, vivendo segundo o caráter de Cristo e anunciando o evangelho. Essa é a única maneira de entrar no Reino de Deus!

3 comentários:

aeaea disse...

gostei testo... sempre tive esse entendimento ficou mais plausivel quando se ver significado das palavras...

Minha critica nao e ao conteudo do texto nao...
depois ele explicar significado das palavras pricipal sobre o que ele queria falar, embola pouco meio de campo esse monte palavra hebraico...


O verdadeiro cristão anda segundo o conselho (melak) aprendido através da leitura diária das Escrituras (Salmo 1.2), que lhe oferece um apoio como de um cajado (pelek), e que o ensina a fugir das ciladas (malkodeth) de Moloque (molek), cujo domínio (malku) jaz no maligno (1 João 5.19).
nessa parti palavras hebaricos sao muito parecidas...

Penso para melhor entendimento publico que nem eu. Nao se faz tanto necessario algumas partes demostraçao palavra hebraico..

so isso mais conteudo muito bom..:D

Jessy disse...

Mto bom! Gostei mto! =D

Joanita disse...

Glorificado e exaltado seja para sempre o nome do Senhor, quando entendemos essas palavras, que o Senhor é o nosso Sacerdote Eterno. Amém!
Que o Senhor continue nos esforçando para lutar pelo reino dele.
Gostei muito do texto. Shalon Adonai!

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