05/11/2017

Missão Integral





 Por Fabrício Roger de Souza Lopes 
(Trecho do trabalho de conclusão de curso). Faculdade Metodista de SP.
  
Em meio a um período conturbado da história recente da América
Latina, quando nosso continente foi sacudido por profundas convulsões
políticas, ideológicas e sociais, muitos cristãos  aderiram  à  agenda   da  Teologia  da Libertação. A Fraternidade Teológica Latino-Americana tem feito um esforço sério no sentido de apresentar uma alternativa a essa teologia que fosse bíblica, evangélica e igualmente radical em suas implicações.

Eles demonstraram que as igrejas podem permanecer fiéis às suas convicções históricas e, ao mesmo tempo, adotar uma postura  ousada  e  coerente  em  relação aos  problemas  sociais.

 
Como cristãos brasileiros, preocupados tanto com a missão  da  igreja,
quanto  com  as  difíceis  realidades  sócio-econômicas  de  nosso  país,  devemos  levar  a  sério  os  desafios  desses  líderes,  que  falam com  convicção,  coerência  e  clareza  sobre  a  necessidade  de  um  entendimento  abrangente  da tarefa da igreja no mundo, como agente e instrumento de Deus.

A atitude e as ações de Deus em relação ao mundo, especialmente como reveladas no seu Filho, Jesus Cristo, são os nossos grandes  paradigmas  de  missão.  A Bíblia fala de um  Deus que  toma  a  iniciativa, que  busca  a humanidade  com  amor e  compaixão,  que  quer  dar  vida  e  dignidade  à  sua  criação.  Isso foi ilustrado de maneira extraordinária por Jesus, quando, em seu ministério terreno, manifestou o interesse de Deus por todos os tipos de pessoas e pela pessoa integral. Nesta visão, fundamentado no pacto de Lausanne, entre a teologia da libertação e o neofundamentalismo, uma nova
geração de pastores e líderes opta pela teologia da missão integral da Igreja.

 A missão integral enfatiza de modo claro que a evangelização e a ação social não se separam, tornando necessário  pregar  Jesus  Cristo  como  Senhor  e  Salvador  de  forma  verbal  e prática, verbal no que diz respeito à palavra de Deus e ao plano salvífico de Jesus, para a restauração,transformação,
libertação e cura do homem e da mulher, ou seja, de toda humanidade
 através  do  poder  do  Espírito  Santo  na  vida  espiritual  e  no  relacionamento  com  Deus;  e prática  no  que  diz  respeito  ao  testemunho  de  amor  e vida  de  Jesus,  na  ação  física  solidária para  com as  necessidades  dos  pobres  e  marginalizados trazendo  restauração,  transformação, libertação e cura no viver do próximo dentro da sociedade, através do Espírito Santo no contato pessoal e social. Desta forma, a missão integral reflete o cuidado e os propósitos de Deus pela  pessoa  como  um  todo,  alcançando  as  quatro  áreas  em  que  Jesus  cresceu :
 Sabedoria  (aplicação  de  verdades  bíblicas  na  vida),  estatura  (atendimento  de  necessidades  físicas),  graça diante  de  Deus  (ministério  espiritual)  e  graça  diante dos  homens  (atendimento  social),  reconhecendo  Deus  como  importante,  amoroso  e  capaz  de  transformar  vidas,  igrejas,  comunidades e nações, fundamentando-se nos mandamentos bíblicos de Jesus de amar a Deus e ao próximo,  demonstrando  um  estilo  de  vida  de  amor  desempenhado  por  igrejas  e  indivíduos,  seguidores  de  Jesus  que  demonstram  a  compaixão  de  Deus  pelo  seu  próximo.

 Assim sendo a missão integral defende um evangelismo que atinja as
 pessoas como um todo, na vida espiritual e física.

Sustentamos que  uma  evangelização  que  não  toma  conhecimento  dos
problemas sociais e que não anuncia a salvação e a soberania de Cristo
dentro do contexto no qual vivem os que ouvem, é uma evangelização
defeituosa,  que  trai  o  ensino  bíblico  e  não  segue  o  modelo  proposto
por Cristo, que envia o evangelista.

A missão integral busca englobar esforços para libertar as pessoas de toda prisão social, política e econômica, porém as igrejas não devem propor programas políticos, pois este não é o papel da igreja, pois o evangelho não é um programa social e político.

O  evangelho  não  é  um  programa  social  e  político.  Não  se  trata,
 entenda-se  bem,  de  que  as  igrejas  evangélicas  tenham  que  propor  um
programa político  na  América  Latina.  Essa  não  é  sua  missão.  A
mensagem de  salvação  deve  chegar  a  cada  um  em  sua  circunstância,
mostrando como  o  pecado  afeta  todas  as  esferas  da vida  e as  relações
entre  os  homens.  A mensagem  também  deve  demonstrar  como  a
entrega pessoal a Jesus Cristo transforma a vida de cada um, de modo que  os  efeitos  da  conversão  sejam  visíveis  na  sociedade  em que  o crente vive”.

Desta forma as mudanças sociais virão pela mudança da sociedade, ou seja, a mudança de cada indivíduo e de suas estruturas com o testemunho evangélico.
A missão integral chama a igreja a uma atitude diferente para com a missão.

Em nosso contexto, as igrejas evangélicas estavam dirigidas somente para a salvação da alma, oferecendo a reconciliação  com Deus  por  meio  de Jesus Cristo,  deixando  de  lado  as  necessidades  do corpo  e  a  reconciliação  do  ser  humano  e  seu  próximo, proclamavam  a  justificação  pela  fé  e omitiam a justiça social enraizada no amor de Deus pelos pobres, buscando sempre o crescimento  numérico  de  membros,  transformando  o  evangelho  em  uma  mensagem  para  o  indivíduo e a vida privada, mas não para a sociedade e a
vida pública. Contudo, Jesus nos oferece o modelo  perfeito  de  serviço  e envia  sua  igreja  para ser  uma  igreja  serva,  sendo  a  missão  de
Cristo a missão da igreja, de se entregar pelo próximo por amor.


“Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu vos enviei ao mundo”.(João 17.18)  

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